Som alto, loló e fuzis: bastidores dos bailes do CV no Rio antes da megaoperação
Os bailes promovidos pela facção Comando Vermelho (CV) dominavam os morros da Penha e do Alemão, na Zona Norte do Rio de Janeiro. Com som potente, luzes de palco, multidões e criminosos armados, as festas se tornaram símbolos do domínio do tráfico sobre as comunidades.
Vídeos publicados nas redes sociais mostravam traficantes ostentando fuzis e drogas enquanto jovens dançavam ao som do funk. Segundo especialistas, os eventos serviam como instrumento de controle social e demonstração de poder da facção nas áreas sob seu comando.
“Esses bailes não são apenas festas. São demonstrações de poder que reforçam a presença da facção nas comunidades”, explicou o pesquisador de segurança pública Marcos Paes.
Moradores afirmam que o barulho e a violência eram constantes.
“O som começava de madrugada e só acabava quando o sol nascia. A gente já se acostumou a ouvir os tiros no meio da música”, contou uma moradora que preferiu não se identificar.
Megaoperação interrompeu a rotina dos bailes
A rotina de festas foi interrompida no fim de outubro após uma megaoperação das forças de segurança no Complexo do Alemão e na Penha. A ação, considerada uma das mais letais da história do Rio, resultou em 128 mortos, 113 presos e 118 armas apreendidas, sendo 91 fuzis e 14 explosivos.
Entre as vítimas estão quatro agentes de segurança pública. O governo do estado confirmou que parte dos suspeitos era de outros estados, como Bahia, Pará e Amazonas — o que reforça o alcance nacional do Comando Vermelho.
Apesar da operação, o medo permanece.
“Nem o baile, nem a operação trouxeram paz. A gente vive com medo todos os dias”, relatou um comerciante da região.
Direitos Humanos apontam número recorde de mortes
Entidades de direitos humanos classificaram a ação como a mais letal da história do Rio de Janeiro e pedem investigação independente sobre as mortes registradas. O Ministério Público acompanha os desdobramentos e deve apurar denúncias de excessos e execuções.










📊 Contexto: o avanço da violência no Rio de Janeiro
Linha do tempo da operação
- 26/10: Polícia identifica movimentação armada nas comunidades.
- 27/10: Tropas são mobilizadas para conter confrontos.
- 28/10: Início oficial da megaoperação com forças estaduais e federais.
- 31/10: Balanço aponta 128 mortos, 113 presos e arsenal apreendido.
Dados sobre violência policial
- 2023: 1.327 mortes em ações policiais no estado.
- 2024: 1.102 mortes.
- 2025: A operação do Rio pode representar 12% das mortes em ações policiais de todo o ano.
Análise
Enquanto o governo defende a ação como necessária, especialistas alertam para o risco de banalização da letalidade e da ausência de políticas sociais nas comunidades.
Fonte: Correios 24 Horas – Matéria redigida
Sigam nosso Instagram: @Avlisnoticias

