Acusação de vazamento provoca reação de defesa e PF admite apurar possíveis irregularidades
O advogado Marco Aurélio de Carvalho, ligado ao filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, formalizou um pedido ao diretor-geral da Polícia Federal (PF), Andrei Rodrigues, para que seja aberta uma investigação interna sobre supostos vazamentos de informações sigilosas referentes ao nome de Lulinha em investigações sobre fraudes no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).
O pedido foi feito pessoalmente por Carvalho durante um evento oficial do governo, realizado nesta quinta-feira (8), no Palácio do Planalto, em alusão aos três anos dos ataques de 8 de janeiro de 2023.
Conversa ao pé do ouvido com o diretor da PF
Durante o evento, o advogado foi visto conversando ao pé do ouvido com o chefe da PF, segundo registros de veículos de imprensa.
Carvalho reclamou que membros da corporação teriam divulgado, de forma “seletiva”, referências ao nome de Lulinha em comunicados internos e relatórios ligados à investigação que apura descontos irregulares de aposentadorias e pensões no INSS — parte da chamada Operação Sem Desconto.
Ele também afirmou que fará uma solicitação formal para que a PF apure rigorosamente todos os vazamentos, comparando a situação com casos polêmicos de divulgação de informações no passado.
O que a PF já informou ao STF
Em resposta aos questionamentos, a Polícia Federal comunicou ao Supremo Tribunal Federal (STF) que encontrou menções ao nome de Lulinha em documentos apreendidos e diálogos de investigados no âmbito da Operação Sem Desconto.
No entanto, a corporação ressaltou que tais referências ainda não constituem provas de envolvimento direto do filho do presidente, e que a investigação se encontra em fase inicial.
Suposto vínculo com executivo investigado e linhas de apuração
Um dos focos da investigação analisa se Lulinha teve alguma relação com o empresário Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido na mídia como Careca do INSS, preso desde setembro do ano passado sob suspeita de liderar um esquema milionário de fraudes contra o seguro social.
Fontes ligadas à PF indicam que as menções ao filho do presidente surgiram a partir de diligências e quebras de sigilo realizadas em fases recentes da operação, mas ainda não existem elementos robustos que comprovem ligação formal entre ele e os envolvidos.
A investigação também considera possíveis vínculos indiretos por meio de terceiros, incluindo pessoas próximas a Lulinha que apareceram em diálogos ou documentos analisados pelos agentes.
Advocacia pede apuração de vazamentos
Marco Aurélio de Carvalho afirmou que o foco da ação não é negar a investigação, mas sim apurar se houve vazamentos indevidos, o que, segundo ele, poderia afetar a reputação e direitos do seu cliente.
Ele comparou a situação a episódios polêmicos do passado, quando informações sigilosas foram tornadas públicas antes do encerramento formal de procedimentos pela Justiça, prejudicando a confiança nas instituições.
Reações políticas e próximos passos
Líderes da oposição já sugerem que o caso poderá voltar a ser discutido na Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS após o recesso do Congresso, com possibilidade de convocação de Lulinha para prestar esclarecimentos.
Por sua vez, a defesa mantém que Lulinha não é alvo formal de investigação, e que qualquer referência ao seu nome faz parte de material obtido de terceiros e sujeita à análise criteriosa por parte da PF.
PF pode apurar e responsabilizar vazamentos
Segundo relatos, o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, afirmou que, se forem identificados indícios de vazamentos internos ou condutas inadequadas por parte de servidores, a corporação poderá abrir procedimentos internos para responsabilizar os envolvidos, medida que mira preservar a integridade das investigações e das instituições.
Até o momento, a PF não divulgou um posicionamento oficial à imprensa, e os detalhes da apuração seguem sob sigilo.
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