Ação começou após inteligência identificar encontro em Tapalpa; ofensiva mobilizou forças especiais, aeronaves e desencadeou retaliações com bloqueios e incêndios em rodovias
A operação que terminou com a morte de Nemesio Rubén Oseguera Cervantes, o “El Mencho”, chefe do Cartel Jalisco Nova Geração (CJNG), avançou a partir do monitoramento de uma mulher apontada como parceira do traficante. A inteligência militar identificou, na sexta-feira (20), que ela se reuniria com o líder do cartel na região de Tapalpa, município montanhoso do estado de Jalisco, no oeste do México.
Com essa informação, as forças de segurança intensificaram a vigilância e passaram a mapear deslocamentos associados ao círculo mais restrito do CJNG. Segundo autoridades mexicanas, o deslocamento da mulher ocorreu sob escolta de um integrante de confiança do grupo, o que reforçou a avaliação de que ela tinha acesso direto ao paradeiro do chefe do cartel.
A partir da confirmação de movimentos na área, o governo mexicano organizou uma ação de captura com participação de forças especiais e apoio de meios aéreos. Militares e integrantes da Guarda Nacional cercaram pontos estratégicos no entorno de Tapalpa e iniciaram uma ofensiva ainda de madrugada, com helicópteros e aeronaves de observação para ampliar o controle do terreno e reduzir rotas de fuga.
Ao perceber a aproximação das equipes, homens armados ligados ao CJNG reagiram e abriram fogo, o que deu início a um confronto. As autoridades afirmam que “El Mencho” tentou escapar com seguranças, deixando o imóvel que servia como ponto de apoio e entrando em área de mata para se ocultar.
Durante a perseguição, as forças de segurança localizaram o traficante ferido em uma região arborizada. Ele e dois seguranças também atingidos não resistiram durante o deslocamento para atendimento médico, segundo o relato oficial. O governo informou a data da operação como domingo (22).
A ofensiva teve reflexos imediatos na segurança pública de Jalisco e de estados vizinhos. Logo após a ação, grupos ligados ao CJNG promoveram bloqueios em rodovias, incendiaram veículos e registraram ataques armados em diferentes pontos do oeste do país, em uma reação que interrompeu a circulação em vias estratégicas e levou à suspensão de atividades em algumas localidades.
As autoridades contabilizaram mortes e prisões ao longo da operação e das ações de contenção que se seguiram. O governo mexicano também comunicou a neutralização de um quadro do cartel apontado como articulador de retaliações, durante desdobramentos da ofensiva em Jalisco.
A morte de “El Mencho” encerra a trajetória de um dos principais líderes do crime organizado no México e abre uma nova fase de incertezas sobre a estrutura de comando do CJNG. Forças de segurança mantiveram reforço de efetivo na região e seguem em alerta para possíveis novos episódios de violência e disputas internas, diante da expectativa de reacomodação de poder no cartel.

